| Por Indira Bastos |
Devagarzinho vou me retirando, sem deixar aviso ou sequer bilhete de despedida. Sem que perceba, eu parto.
Vou sem arrependimento em dar o ultimo adeus. Sem que veja o meu ultimo sorriso. Ou que receba o meu ultimo beijo, abraço. Parto sem arrependimento, pois sei que enquanto estive presente, dei o melhor de mim. Abracei todas às vezes desejadas, sorrir, gargalhei sem restrições. Beijei. Pedi beijos. Vivi cada momento com a sinceridade do sentimento sentido, sem pesar em ter me entregue de todo corpo e alma, assim, como não há arrependimento em partir e deixar-te sem ao menos perceber que fui levando comigo o meu melhor, as boas e eternas lembranças de momentos eternos, eternos sim, pois tudo foi verdadeiro.
Para mim partidas nunca foram agradáveis. Então faço cera, vou me retirando aos poucos. Na tentativa de enganar a dor engano a mim mesma a ponto de que nem eu perceba a hora da partida...



